Cuide de mim...
Quando por mim passar, não tenha vergonha de me olhar.
Se eu lhe estender as mãos, não fique com medo de tocá-las, sei que estão tremulas e pouco podem segurar.
Se eu lhe beijar, não tenha receio em retribuir o beijo, tenha certeza que irei gostar.
Se eu parar para conversar com você, por favor ouça-me, pois me sinto só e a solidão é como a escuridão.
Se você falar comigo e eu não ouvir, procure me entender e tente me escutar. Tenha certeza que estarei fazendo todo o esforço do mundo para ouvi-lo.
Se ao segurar um objeto eu tremer e deixar cair; não fique me olhando assustado com pena de mim.
O fato é que já estou velho, e não tenho mais força para segurar nada.
Se me comporto como criança, cubra-me de cuidados, encha-me de carinho; isso é tudo o que eu preciso!
Lembre-se de que a criança está caminhando para vida e eu para a morte.
Se um dia achar que estou dando trabalho, não me expulse da sua vida. Pois sei que logo sairei!
Quando eu estiver em pé no ônibus e você estiver sentado, levante e deixe- me sentar. Lembre-se que minhas pernas estão fracas, minhas mãos tremulas sem forças para segurar.
Nunca se esqueça de que um dia também fui criança, fui jovem como você e que um dia você também será como eu!
Hoje sou um idoso, estou no fim da vida e me sinto muito só! Cuide de mim... não me deixe viver assim!
Vera Lucia Ribeiro dos Santos
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